Tenho continuado o trabalho no QSObook com uma pergunta em mente: como deixar esse caderno de radioamador mais prático sem encher a tela de coisas? Algumas mudanças recentes passam justamente por aí: uma interface para telas menores, escolha de idioma e um caminho mais organizado para rodar o programa no próprio equipamento.
Quero mostrar esses avanços porque a proposta de autohospedagem precisa aparecer no uso cotidiano. Além de ter o código aberto, quero que a pessoa consiga entender como executar o caderno, onde ficam os dados e quais são os limites da versão que está experimentando.
A rodada também precisa caber no celular
A interface ganhou uma organização específica para telas pequenas. No computador, a tabela continua sendo o centro da rodada. Em uma tela estreita, os participantes aparecem em linhas compactas, com as informações e as ações distribuídas para o toque.

Layout móvel do QSObook no navegador, com dados fictícios. Um participante tem contato confirmado; o outro está marcado como QRT.
A ideia é acompanhar indicativo, nome, cidade e observações sem depender daquela tabela larga de computador. Os controles para registrar QSO, marcar QRT e indicar retorno continuam ligados à participação de cada pessoa.
A captura mostra a interface em uma largura de celular. A validação em aparelhos físicos continua sendo uma etapa importante. Quero ouvir como o fluxo se comporta em tamanhos de tela e navegadores diferentes.
Essa interface funciona no navegador; ainda não é um aplicativo Android nativo. Continuo com a intenção de desenvolver o aplicativo, mas o avanço disponível agora está na própria aplicação web.
Português, inglês, espanhol e francês
Também acrescentei a escolha entre português, inglês, espanhol e francês. O português continua sendo o padrão, e a seleção fica na área de preferências.
Trocar o idioma muda os textos da interface. Não traduz nem reescreve nomes, indicativos, localidades e observações do caderno. Essas informações continuam como foram registradas.
A preferência fica no navegador, sem precisar criar uma conta. Ao aplicar o idioma, a página recarrega; por isso, é melhor salvar o que estiver preenchendo antes de fazer a troca.
Quero que o projeto possa ser conhecido por colegas de outros lugares também. Abrir o código e facilitar a compreensão da interface são formas de deixar essa porta aberta, mesmo sendo uma ferramenta pequena.
Temas claro, escuro e automático
Os temas claro e escuro seguem uma paleta discreta, com controles compactos e foco na leitura. Há ainda a opção automática, que acompanha a preferência de tema do sistema.

O tema escuro mantém a mesma organização da rodada. Captura de demonstração do projeto QSObook.
A escolha fica guardada no navegador. É um ajuste simples, mas gosto da possibilidade de adaptar o caderno ao ambiente e à preferência de quem está usando, sem alterar a lógica das telas.
Um caminho para rodar no próprio equipamento
O projeto passou a ter uma configuração com Docker Compose. Ela organiza a execução da aplicação e mantém o banco SQLite em um volume persistente. Recriar o contêiner preservando esse volume mantém o caderno.
O guia de instalação com Docker reúne os passos e os cuidados com atualização e cópias dos dados. Não é preciso criar conta no Docker Hub para compilar e executar a configuração a partir do código.
Preparei também uma configuração opcional para rede doméstica confiável, com senha obrigatória e endereços de acesso definidos. Isso abre um caminho para acessar pelo celular um caderno rodando em outro equipamento da casa. A configuração padrão continua restrita ao próprio computador.
No modo de rede, os acessos autorizados compartilham o mesmo caderno; não há contas individuais. A conexão HTTP não cifra a senha nem os dados: o guia limita esse uso à rede confiável e orienta HTTPS ou VPN para redes não confiáveis e acesso remoto. Quero divulgar essa possibilidade com o contexto necessário.
Quero facilitar o teste e continuar aprendendo
Há trabalho também na preparação de versões beta, com imagens de contêiner para Linux AMD64 e ARM64 e instruções de instalação. O guia da beta e a página de versões são os lugares para conferir os arquivos efetivamente publicados e as orientações atuais.
Atualizações no GitHub não trocam automaticamente a instalação de quem está usando. Essa decisão fica com a pessoa, acompanhada dos cuidados com o banco. Um volume persistente também não substitui uma cópia de segurança.
O QSObook continua em desenvolvimento. A direção que quero seguir é uma ferramenta livre, compreensível e útil para o radioamador. Acompanhe o projeto no GitHub, conheça as telas e compartilhe com outros colegas. Sugestões concretas de uso ajudam muito a escolher os próximos passos.
Capturas: projeto QSObook, com dados fictícios. Código, licença AGPL-3.0 e telas originais.